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Relatório da FAO alerta para degradação do solo em escala mundial e programa de pesquisa busca retomar práticas conservacionistas no Paraná

No dia 15 de abril celebra-se o Dia Nacional da Conservação do Solo. A data foi instituída por uma iniciativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em novembro de 1989, como homenagem ao conservacionista americano Hugh Hammond Bennett. A comemoração trouxe à tona um importante debate não somente para profissionais e técnicos ligados à agricultura e produtores rurais, mas para toda a sociedade, como faz questão de ressaltar Maria de Fátima Guimarães. “O tema não afeta só agricultores. Quando falamos em enchentes ou quando falamos de assoreamento dos rios e das barragens, isso afeta a todos”, explica a professora de agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Dra. Maria de Fátima Guimarães.

 Segundo a FAO, 33% dos solos do mundo estão degradados. Os dados são de um relatório produzido pela própria FAO, em parceria com a Embrapa Solos e divulgado em dezembro de 2017, em Roma. Danos que levam muito tempo para serem revertidos, já que a natureza leva, em média 400 anos para criar uma camada de apenas um centímetro de solo fértil. “A velocidade de degradação do solo é muito grande, mas a velocidade de recuperação é muito, muito lenta”, alerta Maria de Fátima.

Com quase 40 anos de experiência na área de ciência do solo, a pesquisadora lamenta que o Paraná, estado que já foi referência em conservacionismo, tenha voltado a enfrentar sérios problemas de erosão. “Acompanhei o avanço do Plantio Direto e a fase em que o Paraná se tornou referência para todo o mundo, fazendo um trabalho de conservação de solo em microbacias. Mas, infelizmente, o emprego mal feito da tecnologia acabou ocasionando uma volta ao passado em termos de erosão”.

Prosolo

Com o objetivo de promover a conservação do solo e da água, servindo de suporte ao produtor rural com ações de treinamento e pesquisa, definindo critérios técnicos de sistemas conservacionistas, manejos, climas e cultivos regionais do estado, está em andamento o Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná (Prosolo).

Como parte integrante deste, via Rede de Agropesquisa foi lançado um edital pela Fundação Araucária de apoio a projetos voltados para conservação do Solo e Água. Ao todo foram 35 projetos de pesquisa aprovados para 7 mesorregiões do estado, envolvendo 147 pesquisadores de 19 instituições entre fundações, universidades (públicas e privadas), cooperativas e instituições de pesquisa. O projeto ainda responde pela formação de outros 55 pesquisadores. “Sem dúvida é o maior projeto de pesquisa em conservação de solo do Brasil”, afirma o engenheiro agrônomo, professor do mestrado em governança e sustentabilidade do ISAE e consultor científico do Senar, Cleverson Andreoli.

Com resultados obtidos no Prosolo será possível criar um sistema que considere as peculiaridades de solo, da agricultura e o clima de cada região do estado. “Outro fator importante é que essa nova pesquisa já vai considerar os dados climáticos atuais de forma que permita o dimensionamento de terraços adequado às características das propriedades e permita que o produtor possa associar uma grande segurança de suas práticas a um determinado sistema de projeto de terraceamento que seja adequado a sua região.”, destaca Cleverson.

As áreas onde as megaparcelas serão implementadas já foram definidas, bem como um sistema comum de interpretação de dados, para facilitar o intercâmbio de informações entre todos os projetos. “No próximo mês, teremos mais um seminário no IAPAR, em Londrina, com o objetivo de fazer a harmonização das áreas de pesquisa para que a gente tenha a implementação efetiva dessas parcelas ainda no primeiro semestre deste ano”.

Segundo Cleverson, a pesquisa não se limita a tratar das estruturas físicas, abordando também o uso e manejo do solo. “O primeiro passo para conservação de solos é adequar o uso da propriedade rural à aptidão agrícola que aquele solo tem. Um solo que tem aptidão para culturas florestais, se você quiser fazer cultivo de culturas anuais esse solo vai sofrer problemas de erosão e degradação independente do manejo que você fizer”.

Para o pesquisador, datas como o Dia Nacional de Conservação de Solos são de extrema importância para alertar o produtor rural. “Para que possamos mostrar os dados e informações que comprovem ao produtor que adotar o sistema de conservação de solos adequado é um sistema econômico e que traz retorno geralmente em 4 ou 5 anos”, explica.

Além do 15 de abril, em outras datas também comemora-se o solo, são elas: 22 de abril (Dia Internacional da Mãe Terra) e 5 de dezembro (Dia Mundial do Solo).

Assessoria de Imprensa com colaboração de
Junior Azevedo, estagiário de Jornalismo

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