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Levantamentos começam no início de 2018 e se estendem até 2030. Captação de recursos, parcerias e a conscientização são desafios para o Projeto.

Lançado no início deste ano, o PronaSolos tem como objetivo retomar os levantamentos pedológicos no país, a fim de gerar uma base de dados integrada, na qual as informações provenientes de trabalhos anteriores e as que vierem a ser produzidas estejam organizadas e sistematizadas para consulta do público em geral. O último levantamento de solos realizado no Brasil foi o projeto Radam, da década de 70. O que torna flagrante a necessidade de atualização dos dados.

Em um país de território continental, buscar a análise e categorização do solo, leva tempo. Por essa razão, o PronaSolos foi pensado para ser executado nos próximos 30 anos, dividido em três etapas: de curto (0 a 4 anos), médio (4 a 10 anos) e longo prazos (10 a 30 anos), com metas de trabalho distintas. Na primeira fase, serão estudados solos em áreas prioritárias, escolhidas pelas instituições participantes, em cada estado. Pretende-se, nesta etapa, fazer o levantamento de solos e as interpretações associadas para cerca de 430 mil km2, equivalentes às áreas dos estados de São Paulo e Paraná somadas.

PronaSolos Paraná

A Embrapa, em parceria com o Governo Estadual - representado pelas Secretarias de Planejamento e Coordenação Geral do Paraná; Ciência, Tecnologia e Ensino; Meio Ambiente e Recursos Hídricos; Agricultura e Abastecimento - e ITAIPU são as instituições que lideram a execução do Projeto no Paraná, sob a coordenação dos pesquisadores da Embrapa Florestas Gustavo Curcio e Annete Bonnet.

Segundo Gustavo Curcio, os trabalhos efetivos começam em breve. “A previsão é início de 2018”, afirma. “Neste momento estão sendo efetuadas todas as tratativas, com efetivação de contratos para firmar as responsabilidades de cada parceiro. Serão efetuados os levantamentos semidetalhados de solos e vegetação protetiva de rios e nascentes em 6 módulos territoriais a partir de 2018, com previsão de término em 2030”.

De acordo com a coordenação do Pronasolos Paraná, serão feitos levantamentos de solos na escala 1:50.000 em 6 módulos territoriais dentro do estado (cada módulo com 10.000km2), totalizando cerca de 60.000 km2.

O primeiro módulo será o de Toledo, abrangendo os 24 municípios da região. Cada módulo terá o tempo de execução de 2 anos. Neste primeiro, a responsabilidade dos trabalhos a serem executados estarão a cargo da Embrapa Florestas e do IAPAR. “No entanto, nos “bastidores de apoio” há a contribuição densa e contínua das Secretarias do Estado e da Itaipu”, explica o pesquisador.

“A disponibilização dos resultados do primeiro módulo será não será ao final do projeto, mas após a validação do levantamento em cada carta topográfica, permitindo assim que os interessados tenham acesso aos resultas o mais breve possível”, esclarece Dr. João Henrique Caviglione, pesquisador do IAPAR e membro do NEPAR-SBCS.

“O Paraná o primeiro estado a apresentar uma proposta e diferente dos outros, além dos solos também serão levantadas informações sobre a vegetação protetiva dos cursos d'água, buscando informações sobre a dinâmica entre a floresta, solos e os recursos hídricos”, completa Caviglione.

Para o segundo semestre de 2018, está prevista a abertura para parcerias com universidades para colaboração no primeiro módulo (Toledo). As instituições parceiras poderão contribuir com pesquisas específicas nas temáticas solos, vegetação e água. Os demais módulos, a serem executados a cada 2 anos, são: Umuarama, Londrina, Santo Antônio da Platina, Ponta Grossa e Guarapuava.

Desafios

Implantar um projeto tão grande e que demanda a co-participação de diferentes esferas do Governo, instituições públicas e privadas além do setor de ensino e pesquisa certamente traz uma série de desafios. “É imprescindível consolidar parcerias, identificando instituições potenciais, privadas ou não, que possam colaborar com bens e equipamentos, sobretudo pessoal técnico de áreas correlatas que possa ser treinado e participe efetivamente dos levantamentos”, explica Annete Bonnet.

Outro ponto sensível é a captação de recursos, para a pesquisadora, “o momento difícil pelo qual passa o país incorre, necessariamente, em algumas dificuldades para a efetivação do PronaSolo. O apoio dos estados pode atenuar significativamente o montante de recurso financeiro de origem federal”.

A coordenação do Projeto no Paraná chama atenção para a necessidade de conscientizar sobre a importância do levantamento já que, segundo eles, devido à inexistência de levantamentos em escalas mais detalhadas, “o setor público e privado desconhece a aplicação, em sua totalidade, dos conhecimentos gerados por este tipo de pesquisa, sobretudo, no que diz respeito ao potencial de planejamento dos sistemas produtivos (agricultura, pecuária e florestal) entremeados pelos sistemas de preservação”.

Neste sentido, Annete Bonnet destaca a importância do projeto, não apenas na agricultura. “O impacto pode ser bem acentuado não apenas o setor da agricultura e sim em todos os sistemas de produção do meio rural. Agricultores e técnicos do meio rural, fortalecidos pelas informações contidas em mapa de solos em escala de semi-detalhe (1:50.000) ou de maior detalhe e respectivo relatório técnico, podem executar planejamentos mais consistentes no que se refere implantação, manutenção e manejo dos sistemas de produção do meio rural, garantindo maior retorno econômico, social e ambiental”.

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